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A final que o mundo do futebol não consegue esquecer

O Santiago Bernabéu, em Madri — o estádio que recebeu a final da Copa Libertadores de 2018.

A final que o mundo do futebol não consegue esquecer

Em 9 de dezembro de 2018, o maior clássico do futebol sul-americano foi decidido em Madri. O River Plate bateu o Boca Juniors por 3-1 na prorrogação — e o próprio técnico campeão chamou o que aconteceu de vergonha total.

By Rafael Oliveira· Editor-chefe de futebol·Publicado ·2 MIN DE LEITURA

A final da Copa Libertadores de 2018 foi disputada no Santiago Bernabéu, em Madri — a mais de 10.000 quilômetros de Buenos Aires. Não no Monumental. Não na Bombonera. No estádio do Real Madrid, num país onde nenhum dos dois finalistas joga.

O primeiro jogo tinha terminado 2-2 na Bombonera, deixando a decisão completamente aberta para o segundo duelo. Mas o segundo duelo nunca aconteceu em Buenos Aires.

Em 24 de novembro de 2018, antes da segunda partida no Estadio Monumental, alguns torcedores do River Plate atacaram o ônibus do Boca Juniors a caminho do estádio. Janelas foram quebradas. A polícia usou spray de pimenta. Vários jogadores do Boca foram levados ao hospital. A partida foi adiada duas vezes.

Nos dias seguintes, a CONMEBOL tirou o jogo da Argentina. O presidente da entidade, Alejandro Dominguez, confirmou que a segunda partida seria realizada no Santiago Bernabéu, em Madri — framed partly as uma forma de permitir que torcedores dos dois clubes estivessem presentes. A decisão provocou objeções furiosas dos dois clubes, de suas torcidas e de figuras importantes do futebol argentino.

O presidente argentino Mauricio Macri chamou o ataque ao ônibus de "um golpe duro" e disse que ele "deve nos levar a todos à reflexão".

Em 9 de dezembro de 2018, o River Plate venceu o Boca Juniors por 3-1 após a prorrogação. Placar agregado: 5-3. Quarto título continental do River.

Marcelo Gallardo, técnico do River — o técnico que levantou a taça —, resumiu o que havia acontecido sem economizar nas palavras: "Vamos jogar a Copa Libertadores a 10.000 quilômetros de distância." E depois: "Um dia vamos repensar o que aconteceu, e vamos lembrar disso como uma vergonha total."

A CONMEBOL havia reservado cerca de 25.000 ingressos para torcedores de cada clube. Dos 10.000 destinados especificamente a argentinos que viajassem — 5.000 por clube —, nenhum dos dois esgotou sua cota. Os ingressos não vendidos voltaram para a CONMEBOL. Uma viagem de mais de 10.000 quilômetros, com poucos dias de antecedência, em dezembro, ficou fora do alcance da maior parte das duas torcidas.

A final foi transferida, entre outras razões, para que as duas torcidas pudessem estar juntas. Milhares dos assentos reservados para elas foram devolvidos.

Cerca de 4.000 policiais estavam de plantão. As torcidas dos dois clubes ficaram lado a lado nas arquibancadas laterais, e a partida transcorreu sem incidentes. Em Buenos Aires, isso seria impossível: há anos, o futebol argentino proíbe a presença de torcedores visitantes nos estádios.

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Em 9 de dezembro de 2018, o maior clássico do futebol sul-americano foi decidido em Madri. O River Plate bateu o Boca Juniors por 3-1 na prorrogação — e o próprio técnico campeão chamou o que aconteceu de vergonha total.

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