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Como o Bayern paga as contas sem dever nada a ninguém

Photo: Ank Kumar via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Como o Bayern paga as contas sem dever nada a ninguém

O Bayern München não tem dívida bancária, lucra há mais de três décadas e, segundo análise de Klaas Ripken publicada em seu Substack, pagou o Allianz Arena em menos da metade do prazo previsto. Isso não é sorte, é uma estrutura financeira que a maioria dos clubes europeus simplesmente não tem. Mas o modelo cobra seu preço.

Redação Flagside·Publicado ·2 MIN DE LEITURA

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O Allianz Arena custou cerca de 340 milhões de euros quando abriu em 2005, segundo levantamento de Klaas Ripken. O prazo original de pagamento se estendia por cerca de 25 anos. O Bayern quitou tudo em 2014, nove anos. Quem quiser entender como o clube funciona começa aí.

A base da estrutura é a propriedade. O FC Bayern München AG, a empresa que opera o clube, pertence em 75% ao FC Bayern München e.V., a associação de sócios. Os outros 25% estão divididos igualmente entre Adidas, Audi e Allianz, cada um com 8,33%. Esses três parceiros pagaram cerca de 275 milhões de euros pelas suas fatias, de acordo com o mesmo levantamento. O dinheiro não foi para o mercado de transferências. Foi para o estádio e para o campus de treinamento.

Isso diz tudo sobre a lógica do clube: infraestrutura primeiro, craques depois, e só quando o caixa permite.

O patrocínio segue a mesma filosofia. O Bayern não renova contratos ano a ano. Fecha acordos longos, de vários anos, o que garante uma previsibilidade de receita que a maioria dos clubes não tem. É esse horizonte de planejamento que torna possível operar sem dívida bancária e ainda assim investir.

A folha salarial, jogadores e comissão técnica, fica entre 45% e 50% da receita, segundo a análise de Ripken. A UEFA recomenda um teto de 70%. O Barcelona, no pior momento da sua crise financeira, ultrapassou 80%. O Bayern opera com uma margem que, no futebol europeu de elite, é quase anormal.

Parte dessa contenção vem da base. Jamal Musiala chegou ao Bayern vindo do Chelsea Youth e foi desenvolvido no clube sem que o Bayern precisasse pagar uma taxa de transferência significativa por ele. Aleksandar Pavlovic é produto direto da academia. Cada jogador desenvolvido internamente é um custo que simplesmente não existe no balanço.

O resultado de tudo isso: mais de 30 anos consecutivos de lucro. Nenhuma dívida bancária. Um clube que, ao menos no papel, não depende de ninguém para se manter de pé.

Mas o modelo tem limites reais, e ignorá-los seria desonesto.

O primeiro é a receita de TV. Segundo Ripken, o Bayern recebe cerca de 90 a 95 milhões de euros por ano dos direitos de transmissão da Bundesliga. O clube que termina em último na Premier League recebe mais, cerca de 105 a 115 milhões de euros. Essa diferença estrutural não some com eficiência de gestão. Ela existe porque o mercado televisivo inglês é simplesmente maior, e o Bayern compete por títulos europeus com clubes que partem de uma base de receita mais alta.

O segundo limite é o 50+1. A regra alemã que mantém os sócios no controle dos clubes é o que impede que um dono externo majoritário chegue e mude tudo, como aconteceu com boa parte dos rivais europeus do Bayern. Isso protege a identidade do clube e a lógica de longo prazo que o sustenta. Mas também significa que o Bayern não pode recorrer ao tipo de injeção de capital que o Manchester City, o PSG ou o Newcastle usaram para se reposicionar no topo do futebol mundial.

O modelo do Bayern é raro e funciona. Também opera com uma mão amarrada nas costas, e sabe disso.

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O Bayern München não tem dívida bancária, lucra há mais de três décadas e, segundo análise de Klaas Ripken publicada em seu Substack, pagou o Allianz Arena em menos da metade do prazo previsto.

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