
Dá pra ser jogador de futebol tendo asma?
Dá pra ser jogador de futebol tendo asma?
Um atleta se agacha perto da linha lateral, puxa uma bombinha do bolso do colete e dá duas inalações rápidas antes de entrar em campo. A cena se repete no intervalo, discreta, quase invisível pra quem está na arquibancada.
A resposta é simples: sim, dá pra ser jogador de futebol profissional tendo asma. Vários atletas de alto nível convivem com a condição e seguem jogando em ritmo de competição, sem que isso limite a carreira.
O que torna isso possível é o controle médico da doença. A asma é tratada com medicação, geralmente broncodilatadores administrados por inalador, que abre as vias respiratórias e evita a crise durante o esforço físico. Com acompanhamento médico regular e o uso correto da bombinha, o atleta consegue render normalmente em treino e em jogo, sem diferença perceptível de fôlego ou resistência em relação a um companheiro sem a condição.
O mecanismo por trás disso é direto. Na asma, as vias aéreas ficam mais sensíveis e podem se estreitar diante de gatilhos como esforço intenso, frio ou poeira do gramado, dificultando a passagem de ar. O broncodilatador relaxa a musculatura ao redor dos brônquios e reabre esse caminho em poucos minutos. É por isso que o efeito costuma ser rápido: o jogador aplica a bombinha e, praticamente na sequência, retoma o ritmo de corrida sem sentir o peito fechar.
Usar o inalador antes ou durante a partida é prática médica normal e aceita no futebol profissional. Nenhum regulamento trata isso como irregularidade: é tratamento de saúde, feito sob orientação médica, igual ao de qualquer atleta com uma condição crônica controlada. Um jogador asmático pode precisar de uma inalação a mais num dia mais frio, ou antes de uma atividade mais puxada, exatamente como faria fora das quatro linhas. A diferença é que, em campo, sob os olhos da torcida e das câmeras, o gesto vira notícia onde no dia a dia passaria despercebido.
A bombinha na lateral do campo cumpre a mesma função que cumpriria no vestiário ou em casa: reabrir as vias aéreas e permitir que o atleta corra no mesmo ritmo dos demais. Não há nada a esconder nesse gesto, só rotina médica sendo seguida à vista de todos.
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