
Sessenta e oito por cento. É o aproveitamento do Brasil em disputas de pênaltis na história das Copas do Mundo, segundo levantamento do Terra Futebol. Um número que soa razoável — até você lembrar que as duas vezes em que a Seleção perdeu foram exatamente as que mais doeram.
Aproveitamento de 68% em pênaltis de Copa do Mundo parece um dado tranquilizador. A Seleção converte mais do que erra, vence mais do que perde. Mas estatística de pênalti é uma daquelas coisas que o futebol usa para enganar a gente — porque o que fica na memória não é a média, é o momento exato em que o goleiro adivinha o canto.
E o Brasil tem dois momentos assim gravados a ferro na história da torcida.
México, quartas de final. Brasil contra a França de Michel Platini — talvez o duelo mais bonito daquela Copa. Noventa minutos de futebol de alto nível, prorrogação, e então os pênaltis. Zico, que havia entrado no segundo tempo, bateu o seu. Sócrates, o doutor filósofo que definia aquela geração, foi ao círculo central com a calma de quem sabe o que está fazendo — e Joël Bats defendeu. Júlio César também parou. A França passou. Aquela seleção de 1986, talvez a mais talentosa que o Brasil já levou a uma Copa, nunca mais voltou.
Não foi a última vez que a Seleção saiu de uma Copa sem levantar a taça por causa de pênaltis. Mas foi a primeira. E as primeiras vezes ficam.
(Fonte: Terra Futebol, levantamento histórico de pênaltis do Brasil em Copas do Mundo)
França de novo. Final, desta vez — no Stade de France, em Saint-Denis. O Brasil chegou como favorito, com Ronaldo Fenômeno no auge da carreira: artilheiro da Copa, eleito melhor jogador do torneio pela FIFA. O que aconteceu nas horas antes do jogo ainda é assunto para outro artigo. Em campo, a Seleção foi goleada por 3 a 0 — gols de Zidane (2) e Petit — sem precisar nem chegar aos pênaltis. Mas o trauma de 1998 carrega o peso de tudo que veio antes: a sombra de 1986, a sensação de que a Copa da França estava destinada a escapar das mãos do Brasil de um jeito ou de outro.
A ironia — ou a crueldade — é que as duas eliminações mais dolorosas da história da Seleção em Copas vieram contra o mesmo adversário.
(Fontes: Globo Esporte, "Brasil x França: relembre a final da Copa de 1998"; ESPN Brasil, cobertura histórica da Copa do Mundo 1998)
Fora dessas duas derrotas, o Brasil tem um histórico competente nas disputas. Passou por pênaltis em outras edições, converteu cobranças decisivas, produziu momentos de alívio coletivo que a torcida celebrou nas ruas. O 68%, segundo o Terra Futebol, reflete esse equilíbrio — uma Seleção que, na maioria das vezes, sabe o que está fazendo na marca do pênalti.
Mas 68% também significa que, em quase um terço das ocasiões, o Brasil foi eliminado. E quando foi, foi de um jeito que a torcida não esquece.
Com a Copa do Mundo de 2026 em andamento, esse histórico volta a ser contexto obrigatório para qualquer torcedor que acompanha a Seleção. Cada vez que um jogo do Brasil vai para a prorrogação, o número 1986 aparece em algum canto da memória coletiva.
O Brasil bate bem pênaltis — na média. Mas o futebol não é disputado na média. É disputado num domingo à tarde, com 80 mil pessoas na arquibancada e um goleiro que acabou de estudar o vídeo do seu batedor favorito.
Sessenta e oito por cento. Torça para que a Seleção não precise usar esse número em 2026. Mas se precisar — bem-vindo ao esporte mais cruel do planeta.
Sessenta e oito por cento. É o aproveitamento do Brasil em disputas de pênaltis na história das Copas do Mundo, segundo levantamento do Terra Futebol. Um número que soa razoável
Sources
Terra Futebol
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