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9 recordes de treinadores impossíveis de superar

O futebol muda rápido demais para que certos números voltem a acontecer. Entre a pressa dos clubes em trocar de treinador e a exigência de resultado imediato, alguns feitos ficaram congelados no tempo. Aqui estão nove deles.

By Rafael Oliveira· Editor-chefe de futebol·Publicado ·3 MIN DE LEITURA

Os 26 anos de Alex Ferguson no Manchester United

Nenhum treinador vai comandar um clube grande por mais de duas décadas de novo. O futebol de hoje não dá esse tempo: paciência de conselho, torcida e mercado simplesmente não existe mais. Ferguson chegou a Old Trafford em 1986 e só saiu em 2013, com uma coleção de títulos ingleses que nenhum sucessor chegou perto de igualar. Fora de contexto histórico, soa até absurdo: um homem só, três décadas, um clube.

Os 100 pontos do Manchester City de Guardiola

Na temporada 2017-18, o City de Pep Guardiola fechou a Premier League com 100 pontos, algo inédito na competição. Bater essa marca exigiria uma campanha praticamente sem erros, num campeonato que fica mais equilibrado e mais desgastante a cada ano. Repetir isso não é impossível no papel, mas as chances de acontecer de novo são mínimas.

As cinco Champions League de Carlo Ancelotti

Carlo Ancelotti é o treinador com mais títulos de Champions League da história, um recorde que ele mesmo foi empilhando entre Milan e Real Madrid ao longo de quase duas décadas. Para alguém superar isso, precisaria não só ganhar a competição várias vezes, como sobreviver profissionalmente o tempo suficiente em clubes de ponta para tentar.

Os Invencíveis de Wenger em 2003-04

Arsène Wenger levou o Arsenal a uma temporada inteira da Premier League sem perder uma partida, um feito batizado de Invincibles. Até hoje é o único caso do tipo na era dos três pontos por vitória na Inglaterra, num calendário muito mais apertado do que era antes.

Brian Clough e as duas taças europeias do Nottingham Forest

Clough pegou um time recém-promovido, o Nottingham Forest, e o levou a duas conquistas seguidas da então Copa dos Campeões, o atual formato da Champions League. Um clube pequeno vencendo a Europa duas vezes seguidas é cenário que o futebol financeiro de hoje praticamente eliminou: a distância entre gigantes e o resto só cresceu.

Bob Paisley e as três taças europeias com o Liverpool

Paisley nunca foi jogador de expressão como técnico antes de assumir o Liverpool, mas terminou com três títulos europeus à frente do clube, um retrospecto que colocou seu nome ao lado dos maiores da história inglesa. A combinação de estabilidade de elenco, continuidade de projeto e sucesso imediato que ele teve é rara demais para se repetir.

O revolucionário Rinus Michels

Michels não deixou um número redondo, deixou uma ideia: o Futebol Total, criado no Ajax e depois levado à seleção da Holanda e ao Barcelona. Nenhum treinador desde então mudou tanto a forma como o jogo é pensado em todo o mundo ao mesmo tempo. Recordes se batem, revoluções de tática não se repetem por encomenda.

A sequência invicta em casa de José Mourinho

Em diferentes passagens de sua carreira, sobretudo em Portugal e na Itália, Mourinho construiu sequências longuíssimas sem perder jogando em seu próprio estádio. Manter isso por temporadas seguidas, trocando de país, de elenco e de exigência, é um tipo de consistência que ficou cada vez mais rara à medida que o calendário e a pressão por resultado aumentaram.

Guardiola e o treble no primeiro ano como treinador principal

Pep assumiu o Barcelona principal pela primeira vez e, logo na estreia, conquistou Liga, Copa do Rei e Champions League no mesmo ano. Um treinador estreante vencendo tudo de cara é quase ficção: exige um elenco de gerações raras, como aquele Barça teve, e uma leitura de jogo que normalmente leva anos para amadurecer.

Por que esses recordes resistem

O padrão por trás de quase todos eles é o mesmo: tempo. Tempo para construir um projeto, tempo para um clube confiar num nome mesmo sem título imediato, tempo para um elenco crescer junto com a ideia do treinador. O futebol moderno trocou isso por impaciência e mercado inflado, e é por isso que esses nove números continuam parados no mesmo lugar.

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O futebol muda rápido demais para que certos números voltem a acontecer. Entre a pressa dos clubes em trocar de treinador e a exigência de resultado imediato, alguns feitos ficaram congelados no tempo.

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