Photo: Ank kumar via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Arteta entra no clube dos cinco: a elite dos técnicos na Premier League
Mikel Arteta acaba de cruzar uma marca que pouquíssimos técnicos atingiram na história da Premier League: 150 vitórias em menos de 250 partidas no comando de um clube. Só quatro nomes chegaram lá antes dele, e todos eles têm troféu de campeão inglês na prateleira. A pergunta que fica é simples: o que esse número diz sobre o projeto do Arsenal?
O clube dos cinco
A Premier League existe desde 1992 e já viu centenas de técnicos passarem pelos bancos ingleses. Chegar a 150 vitórias dentro de 250 jogos não é apenas uma questão de tempo no cargo: é uma combinação de consistência, elenco e identidade tática que a maioria nunca consegue sustentar por tempo suficiente para o número aparecer.
Os cinco que chegaram lá, com o número de jogos necessários para atingir a marca:
| Jogos | Técnico |
|---|---|
| 204 | Pep Guardiola |
| 231 | José Mourinho |
| 237 | Jürgen Klopp |
| 247 | Sir Alex Ferguson |
| 249 | Mikel Arteta |
Guardiola está em outro patamar: precisou de apenas 204 partidas, o que significa que perdeu ou empatou menos de um terço dos jogos que dirigiu no Manchester City até essa marca. É uma taxa de vitórias que beira o absurdo para uma liga tão competitiva.
O que o número de Ferguson esconde
Ver o nome de Ferguson em quarto lugar pode parecer estranho para quem conhece a história do Manchester United. Mas há um detalhe importante: a Premier League só recebeu esse nome em 1992, quando Ferguson já estava há seis anos em Old Trafford. Os títulos anteriores, as batalhas para reconstruir o clube, a eliminação do alcoolismo do vestiário, tudo isso aconteceu antes do relógio da Premier League começar a contar.
Se a contagem incluísse toda a era Ferguson na primeira divisão inglesa, o escocês estaria em outro lugar nessa lista. O que os números da Premier League capturam é apenas a fase final, e ainda assim a mais vitoriosa, de um reinado que durou mais de duas décadas.
O que Arteta está construindo
Arteta chegou ao Arsenal em dezembro de 2019 com o clube em crise, sem identidade e sem presença real no topo da tabela. Nos primeiros anos, a missão era estrutural: reorganizar o elenco, impor uma ideia de jogo e recuperar a cultura de um clube que havia passado anos se conformando com o quarto lugar como conquista.
A Premier League que Arteta encontrou é a mais cara e competitiva da história. Guardiola transformou o Manchester City numa máquina de títulos, Liverpool passou por um ciclo de alto nível sob Klopp, e o Chelsea gastou fortunas tentando entrar na disputa. Chegar a 150 vitórias nesse ambiente, em menos de 250 jogos, é um argumento concreto de que o Arsenal voltou a ser um clube de elite.
O que ainda falta é o troféu que separa os outros quatro do resto: todos eles foram campeões da Premier League. Arteta ainda não. Essa é a distância que o número não consegue fechar sozinho.
Velocidade importa
A ordem da lista não é aleatória. Guardiola chegou ao City com um elenco pronto para vencer e uma estrutura financeira sem paralelo no futebol inglês. Mourinho construiu times defensivamente sólidos e brutalmente eficientes nos dois clubes em que trabalhou na Premier League. Klopp levou alguns anos para montar o Liverpool ideal, mas quando encaixou, a máquina rodou em velocidade máxima.
Arteta está mais próximo do modelo Klopp do que do modelo Guardiola: um processo de construção que demorou, que teve tropeços, mas que ganhou forma e velocidade. Chegar à marca em 249 jogos, dois a menos que Ferguson, coloca o espanhol numa posição que nenhum torcedor do Arsenal teria imaginado quando ele assumiu o cargo.
O clube ainda busca o título. Mas a trajetória já tem o formato certo.
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