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Ali Dia: 53 minutos e um técnico que nega ter sido enganado

Graeme Souness, técnico do Southampton em novembro de 1996, em evento público anos depois do episódio.

Ali Dia: 53 minutos e um técnico que nega ter sido enganado

Um telefonema de autor desconhecido, credenciais inventadas e 53 minutos na Premier League. A história de Ali Dia é real — e diferente da versão mais contada.

Redação Flagside·Publicado ·2 MIN DE LEITURA

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Em novembro de 1996, alguém ligou para o Southampton. Quem fez essa ligação nunca foi estabelecido. O recado era simples: Ali Dia, parente de George Weah, estava na Inglaterra e queria um clube. O próprio Weah, na época um dos melhores jogadores do mundo, não sabia de nada.

As credenciais apresentadas eram de outro nível: passagens pelo Paris Saint-Germain ao lado de Weah, 13 convocações pela seleção do Senegal. Tudo mentira. Dia nunca jogou no PSG. Nunca foi chamado pelo Senegal. O que ele tinha de verdade era uma trajetória pelo futebol de divisões inferiores da França, Finlândia e Alemanha — Beauvais, Dijon, La Rochelle, FinnPa, VfB Lübeck, entre outros. Duas entradas como substituto em Lübeck. Uma partida pelo Blyth Spartans, no futebol não-profissional inglês, em 9 de novembro de 1996, duas semanas antes.

O Southampton assinou um contrato de um mês. Camisa 33.

No treino, o veredicto foi imediato. Graeme Souness, então técnico do clube, foi direto: “Nos primeiros cinco minutos de uma segunda-feira de manhã, dissemos que ele não era para nós. Era um caso perdido.” Souness rejeita a versão de que foi enganado: “A história diz que fomos ludibriados e enganados, mas não é verdade. Tomamos a decisão sobre ele nos primeiros cinco minutos.”

Então por que Dia foi relacionado?

Souness explica: “Estávamos jogando contra o Leeds United no sábado, e o Matt era nosso único atacante em condições.” Matt Le Tissier — o único atacante disponível — puxou a coxa no jogo. Dia entrou.

Era 23 de novembro de 1996. Premier League, The Dell — jogo em casa. Southampton 0 x 2 Leeds United. Dia substituiu Le Tissier aos 32 minutos. Teve um chute nos primeiros momentos, defendido pelo goleiro Nigel Martyn. Depois, nada. Aos 85 minutos, foi substituído pelo zagueiro Ken Monkou. Gary Kelly marcou aos 82, Lee Sharpe aos 89. Cinquenta e três minutos de Premier League. Os únicos da carreira.

Le Tissier não poupou palavras: “Ele corria pelo campo como Bambi no gelo; foi muito constrangedor de assistir.” Sobre o treino, Le Tissier disse que chegou a pensar que Dia tinha ganhado uma competição para treinar com o elenco. E sobre ser o jogador substituído por ele: “Fui o jogador substituído por possivelmente o pior jogador a já atuar na Premier League.”

Dias depois, o Southampton dispensou Dia — catorze dias após a assinatura, antes do fim do contrato de um mês. Ele nunca mais voltou ao time principal. Nunca mais pisou na Premier League.

Em dezembro de 1996, Dia assinou com o Gateshead, na Conference. Marcou na estreia, numa goleada de 5 a 0 sobre o Bath City. Fez dois gols em alguns jogos. Em fevereiro de 1997, foi colocado na lista de transferências. Passou brevemente pelo Spennymoor United.

O que aconteceu com ele depois é incerto. Há relatos de que concluiu uma graduação em administração e depois um MBA, e que trabalhou no setor empresarial — mas nada disso foi confirmado. Dia se manteve longe dos holofotes. A ligação que o colocou no futebol inglês continua sem autor conhecido.

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Um telefonema de autor desconhecido, credenciais inventadas e 53 minutos na Premier League. A história de Ali Dia é real — e diferente da versão mais contada.

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