Photo: La Moncloa via Wikimedia Commons (Attribution)
Os oito técnicos que mandam no futebol europeu de seleções
Treinar uma seleção nacional europeia é um trabalho diferente de tudo no futebol: sem janela de transferências para resolver problemas, sem semanas inteiras para treinar, e com uma nação inteira esperando resultado. Os técnicos que ocupam esses cargos hoje chegaram por caminhos diferentes, mas enfrentam a mesma pressão. Vale entender quem são e o que cada um representa.
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A lógica de um cargo diferente
O técnico de seleção não escolhe o elenco no mercado, não tem o jogador todo dia no campo de treino e precisa montar um time coeso em poucos dias antes de cada competição. Por isso, o perfil ideal costuma ser o de alguém que conhece profundamente o futebol local, sabe gerir ego de craque e consegue criar identidade sem tempo. Não é à toa que muitos dos nomes abaixo têm histórico longo dentro das próprias federações antes de chegarem ao cargo máximo.
Espanha: Luis de la Fuente
Assumiu a seleção espanhola depois de um ciclo vitorioso nas categorias de base e foi coroado com o título da Eurocopa de 2024. A Espanha chegou à Alemanha jogando um futebol vertical e intenso, diferente do tiki-taka que definiu a era anterior. De la Fuente apostou em jovens como Lamine Yamal e Nico Williams quando ainda havia dúvida sobre maturidade deles para o torneio. Não havia mais dúvida depois.
Inglaterra: Lee Carsley
Assumiu de forma interina após a saída de Gareth Southgate, que havia levado a seleção inglesa a duas finais de Eurocopa consecutivas sem vencer nenhuma. Carsley vinha do trabalho com a seleção sub-21 inglesa, onde construiu reputação sólida. A situação é de transição, com a FA ainda definindo o perfil do próximo ciclo.
França: Didier Deschamps
O técnico mais longevo entre os grandes da Europa no cargo. Deschamps comanda a seleção francesa desde 2012 e nesse período conquistou a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Chegou à final do Mundial de 2022 no Catar, perdendo para a Argentina nos pênaltis. Com Mbappé como referência máxima, a França segue sendo candidata permanente a qualquer título que dispute.
Alemanha: Julian Nagelsmann
Assumiu a seleção alemã num momento de reconstrução, depois de ciclos frustrantes que incluíram eliminações precoces em Copas do Mundo. Nagelsmann é jovem para o cargo, vem de uma carreira de clube com passagens por Leipzig e Bayern de Munique, e trouxe uma proposta mais agressiva e vertical para a Mannschaft. A Eurocopa de 2024, disputada em casa, terminou com eliminação nas semifinais, mas a atuação da equipe ao longo do torneio reconectou o torcedor alemão com a seleção.
Portugal: Roberto Martínez
O técnico belga assumiu Portugal após a Copa do Mundo de 2022 e herdou um grupo com Cristiano Ronaldo ainda presente. Martínez já havia comandado a Bélgica por anos, levando a chamada Geração de Ouro ao terceiro lugar no Mundial de 2018. Em Portugal, o desafio é equilibrar a presença de Ronaldo com a ascensão de uma geração nova, que inclui nomes como Vitinha e Pedro Neto.
Itália: Luciano Spalletti
Assumiu a Azzurra depois do fracasso histórico de não se classificar para a Copa do Mundo de 2022, o segundo Mundial consecutivo que a Itália perdeu. Spalletti chegou direto de uma temporada brilhante no Napoli, onde conquistou o Scudetto depois de mais de três décadas de espera do clube. A Eurocopa de 2024 terminou com eliminação precoce, e a reconstrução segue em curso.
Holanda: Ronald Koeman
Voltou ao cargo que já havia ocupado anteriormente. Koeman conhece o futebol holandês por dentro, jogou na seleção, treinou o clube mais simbólico do país, e sabe como lidar com o peso da camisa laranja. Com Virgil van Dijk como capitão e uma geração de meio-campistas de qualidade, a Holanda chegou à semifinal da Eurocopa de 2024.
Croácia: Zlatko Dalic
O técnico que transformou a Croácia numa potência consistente. Dalic levou o país à final da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e ao terceiro lugar em 2022, no Catar. Com Luka Modric como alma da equipe por anos, a Croácia sempre jogou acima do que o tamanho do país sugeriria. A transição para o pós-Modric é o próximo desafio real.
O que esses oito têm em comum
Nenhum deles chegou ao cargo por acaso. Todos passaram por processos longos, dentro ou fora das federações, e assumiram com histórico claro. O que separa os melhores não é necessariamente o esquema tático: é a capacidade de criar coesão num grupo que se vê pouco, em pouco tempo, com pressão máxima. Esse é o trabalho. E é mais difícil do que parece na televisão.
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