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Dembélé e Donnarumma: de Barcelona e Milan ao mesmo vestiário no PSG

Há duplas de camisas que simplesmente não deveriam existir na mesma escalação, e a de Ousmane Dembélé com Gianluigi Donnarumma é uma delas. Um reconstruiu sua carreira nas Ramblas, virando sinônimo do Barcelona apesar de tantas lesões; o outro cresceu como o menino-prodígio do Milan, o herdeiro natural de Buffon em San Siro. Mas em 2025, com as cores do Paris Saint-Germain, os dois ergueram a Champions League juntos, uma coincidência que a memória do futebol quase esquece de registrar.

By Rafael Oliveira· Editor-chefe de futebol·Publicado ·2 MIN DE LEITURA

Dois destinos que pareciam nunca iriam se cruzar

Ousmane Dembélé é, para a maioria dos torcedores, uma figura indissociável do Camp Nou. Foi lá que ele chegou em 2017 como a contratação mais cara da história ao lado de Paul Pogba, herdando a camisa 11 de Neymar, e onde, entre lesões recorrentes e lampejos de genialidade, conquistou três títulos de La Liga, duas Copas do Rei e duas Supercopas da Espanha. Antes disso, revelou-se em Rennes e explodiu no Borussia Dortmund, onde foi eleito revelação da Bundesliga. Sua passagem pela Catalunha, embora marcada por frustrações físicas, o transformou definitivamente num nome do Barcelona na cultura popular do futebol.

Gianluigi Donnarumma, por sua vez, é praticamente sinônimo do Milan. Debutou pelos Rossoneri com apenas 16 anos, tornando-se o segundo goleiro mais jovem a jogar na Serie A, e rapidamente foi apontado como sucessor natural de Gianluigi Buffon na seleção italiana. Passou seis temporadas como titular absoluto em San Siro, ajudando o clube a voltar à Champions League após oito anos de jejum. Cresceu torcendo para o Milan, idolatrando Buffon, e carregou a expectativa de toda uma geração de goleiros italianos.

O encontro inesperado em Paris

Foi só quando ambos deixaram seus clubes de formação e recalibraram carreiras no Paris Saint-Germain que essas duas histórias, tão distintas, se cruzaram. Dembélé retornou à França em 2023, buscando reencontrar o futebol que havia prometido nos tempos de Dortmund. Donnarumma já estava lá desde 2021, contratado como agente livre do Milan, tentando provar que sua qualidade sobreviveria fora da Serie A.

A temporada 2024-25 foi o ponto de convergência. Dembélé viveu uma retomada espetacular, com 33 gols e 15 assistências em 49 jogos, sendo eleito o melhor jogador da Ligue 1, o melhor da Champions League daquela edição e, por fim, vencedor da Bola de Ouro de 2025. Donnarumma, depois de superar um período de desconfiança do técnico Luis Enrique, que chegou a preferir o reserva Matvey Safonov, reconquistou a titularidade e foi peça central na campanha que resultou no tricampeonato europeu do PSG, sendo eleito o melhor goleiro do mundo pela FIFA naquele ano.

Duas trajetórias, um só troféu

O que torna essa dupla tão surpreendente não é apenas a distância entre os clubes que os formaram, mas o contraste dos caminhos até ali. Dembélé chegou ao PSG como reforço em ascensão que precisava provar que a genialidade sobreviveria à instabilidade física. Donnarumma chegou como um veterano precoce que precisava reconstruir sua reputação depois de sair do Milan em condições contestadas, incluindo uma saída amarga que ainda ecoa entre os torcedores rossoneri.

Enquanto Dembélé seguiu em Paris, ampliando seu legado com mais títulos de Ligue 1 e Champions, Donnarumma acabou de partida para o Manchester City, onde já conquistou a FA Cup e a Copa da Liga inglesa. Duas carreiras que passaram por Paris no mesmo momento exato, sem nunca terem sido, individualmente, associadas ao clube, e que, justamente por isso, tornam aquela temporada compartilhada tão digna de nota.

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Dembélé consegue manter o nível de 2025 ou foi seu pico?

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