
Por que os jogadores entram em campo com crianças?
Duas fileiras, uma de adultos e uma de crianças, caminhando lado a lado pelo túnel até o gramado. Parece tradição antiga — mas tem patrocinador no meio.
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Antes do apito inicial, os jogadores saem do vestiário em dupla fila. Do lado de cada atleta, uma criança de sete ou oito anos, uniforme do clube, olhando para o estádio lotado como se o mundo inteiro tivesse parado. Essa é a cena. Agora, o porquê.
O nome técnico é mascote ou player escort — e o principal motor da prática é comercial. Empresas pagam ao clube ou à competição pelo direito de colocar crianças ao lado dos jogadores. É uma ação de marketing: a marca aparece associada à inocência, à emoção, ao esporte. Simples assim.
A escolha das crianças varia. Pode ser sorteio entre filhos de sócios, programa de patrocinador, parceria com escolas ou indicação de projetos sociais ligados ao clube. Em competições internacionais, é comum que crianças de iniciativas solidárias participem da cerimônia — o que acrescenta uma camada de responsabilidade social à jogada comercial.
O componente simbólico também pesa, e não é de mentira. A imagem de um craque de mão dada com uma criança comunica algo que nenhum anúncio consegue fabricar do zero: a ideia de que o futebol pertence a todas as gerações, que o menino ou a menina ali poderia, um dia, ser o jogador. Clubes e patrocinadores sabem disso e usam — mas o sentimento é real para quem está no campo.
Para a criança, entrar no gramado ao lado de um jogador profissional diante de milhares de pessoas é uma memória que não some. Não é exagero: é o tipo de experiência que define o que alguém vai contar para o filho décadas depois.
O detalhe que a maioria não pergunta: nem toda criança que aparece nessa fila foi escolhida por sorteio ou mérito. Em alguns casos, o acesso é pago diretamente pelo patrocinador como parte de um pacote de ativação — o que significa que a vaga pode depender de qual empresa fechou o contrato naquela temporada. A magia da cena continua sendo real para quem está lá. A lógica por trás dela é de negócio.
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