
Por que os jogadores usam aquele top por baixo da camisa?
Por que os jogadores usam aquele top por baixo da camisa?
Aquele volume estranho nas costas do jogador, logo abaixo do pescoço da camisa, não é vaidade nem parte do uniforme oficial. É tecnologia.
Repare da próxima vez que houver aquecimento antes da bola rolar. Um jogador tira a camisa por um segundo para ajustar algo preso ao corpo: um colete preto, justo, que passa pelos ombros como uma mochila sem alças, com um pequeno bolso exatamente entre as omoplatas. Ali dentro fica encaixado um sensor do tamanho de um cartão. É esse o "top" que a torcida vê marcado na silhueta da camisa durante o jogo inteiro.
Esse colete é um equipamento de GPS. O sensor no bolso das costas registra em tempo real dados físicos do atleta: quantos quilômetros ele percorreu, em que velocidade correu cada trecho, quantas vezes acelerou ou freou bruscamente. Nada disso tem relação com comemoração de gol ou gesto para a torcida, é puro monitoramento de desempenho físico, e está ali do primeiro ao último minuto, chova ou faça sol.
Quem usa essa informação é a comissão técnica e a equipe de performance do clube. Depois do treino ou da partida, os dados do sensor são baixados e analisados: quanto aquele jogador rodou em campo, se a carga de trabalho está dentro do esperado para a semana, se algum atleta está exigindo demais do corpo e caminhando para uma lesão por excesso de esforço. É a mesma lógica de um relógio esportivo de corrida, só que profissional e voltado para o coletivo de um elenco inteiro.
O motivo de existir é simples: futebol de alto rendimento não se resume mais a olho clínico de preparador físico. Um meio-campista pode correr dez quilômetros num jogo e um zagueiro, a metade disso, mas com picos de velocidade muito mais intensos em disputas pontuais. Sem medir isso número a número, fica difícil saber quando um jogador está no limite físico ou quando precisa de descanso antes de se lesionar. O top resolve esse problema de forma discreta, sem atrapalhar o jogo.
A pegadinha é que nem todo colete visto por baixo da camisa é rastreador. Muitos atletas usam tops de compressão simples, sem qualquer sensor, apenas por suporte muscular e conforto, o mesmo princípio de uma cinta ou manga de compressão, só que cobrindo o tronco. Visualmente pode parecer idêntico ao colete de GPS, mas ali dentro não há bolso nem sensor algum, só tecido apertado ajudando os músculos a trabalhar com menos vibração e mais estabilidade durante o esforço.
Ou seja, ver o relevo do top na camisa de um jogador não significa necessariamente que aquele atleta está sendo monitorado naquele instante. Pode ser dado de GPS sendo captado linha a linha do jogo, ou pode ser simplesmente uma peça de compressão que ele prefere por hábito. A diferença está escondida entre as omoplatas, onde só existe bolso quando existe sensor.
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