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Kaká e a proposta do Manchester City que não aconteceu
Antes de fechar com o Real Madrid em 2009, Kaká viveu um capítulo curioso e pouco lembrado: um acordo pessoal com o Manchester City que parecia prestes a se concretizar. A negociação, no entanto, morreu antes de virar transferência oficial, em meio à resistência do Milan e à pressão da torcida rossonera.
Um acerto que não virou contrato
No início de 2009, com o Manchester City recém-comprado por investidores árabes e disposto a fazer barulho no mercado, o clube inglês avançou nas conversas com Kaká. Segundo o relato da própria trajetória do jogador, ele e o City chegaram a um acordo sobre os termos pessoais do contrato, a etapa que, normalmente, precede o anúncio de uma contratação. Era, para todos os efeitos, um negócio quase fechado do lado do jogador.
O problema estava no outro lado da mesa. O Milan, dono do passe, não estava disposto a se desfazer de seu principal armador tão facilmente, e a reação pública de Kaká deixou claro o tom do impasse: ele disse aos jornalistas que queria "envelhecer" no Milan e sonhava em um dia ser capitão do clube. Depois, moderou o discurso, afirmando que, se o Milan quisesse vendê-lo, sentaria para conversar, mas que, enquanto o clube não quisesse se desfazer dele, ficaria.
A reação da torcida e o fim do imbróglio
A notícia de uma possível saída para a Inglaterra não caiu bem entre os são-paulinos... quer dizer, entre os milanistas. Torcedores protestaram em frente à sede do clube e, mais tarde, foram até a casa de Kaká cantar por sua permanência. Em resposta, o jogador acenou da janela balançando a camisa do Milan para a multidão, um gesto que, na prática, selou o fim das especulações antes mesmo de qualquer anúncio oficial.
O desfecho definitivo veio pela boca de Silvio Berlusconi, então presidente do clube: em 19 de janeiro, ele anunciou que o Manchester City havia encerrado oficialmente a proposta após uma conversa entre as diretorias. Kaká permaneceria no Milan.
O que aconteceu depois
A permanência, no entanto, durou pouco. Meses depois, em junho de 2009, foi o recém-eleito presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, quem conseguiu o que o City não tinha alcançado: tirar Kaká do Milan, por uma quantia que na época foi a segunda maior da história do futebol. Ali começou uma passagem madrilenha marcada por lesões que corroeram sua explosão física, mas o fato é que, meses antes, o meia esteve a um passo de vestir a camisa azul-celeste de Manchester, e não o fez porque o clube que o formava como ídolo simplesmente recusou vendê-lo, com a torcida como aliada direta nessa resistência.
Hoje, olhando para trás, o episódio soa quase como um raro momento em que um clube inglês, mesmo com recursos recém-injetados e disposição de gastar, esbarrou não em uma cláusula ou em um detalhe contratual, mas na vontade coletiva de um clube e de sua torcida de não deixar ir embora o jogador que, meses depois, se tornaria Bola de Ouro daquele ano.
Fontes2 fontes
Wikipedia (pt), Wikipedia (en)
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