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Chelsea Football Club, Stamford Bridge (Ank kumar) — Photo: Ank kumar via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Photo: Ank kumar via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Chelsea, Villa e £200 milhões indo e voltando: quando isso vira problema?

Chelsea e Aston Villa fizeram uma série de negócios entre si num intervalo curto: dinheiro saindo de um lado, jogadores e dinheiro voltando do outro, valores altos, e os dois clubes já com histórico de problemas com regras financeiras. O que parece ser mercado ativo pode, dependendo de como a UEFA enxergar, ser tratado como algo bem diferente.

By Lucas Martins· Repórter de campo·Publicado ·3 MIN DE LEITURA

O que foi negociado entre os dois clubes

Os negócios entre Chelsea e Aston Villa, somados, ultrapassam £200 milhões. Para ter clareza do volume, vale listar o que o bloco de contexto registra:

  • Maatsen ao Villa: aproximadamente £37 milhões
  • Kellyman ao Chelsea: aproximadamente £19 milhões
  • Rogers ao Chelsea: £117 milhões
  • Garnacho ao Villa: aproximadamente £40 milhões
  • Jackson ao Villa: até £65 milhões

Num período curto, os dois clubes estão se repassando jogadores e dinheiro em volume e frequência que fogem do padrão de dois clubes simplesmente aproveitando oportunidades de mercado.

Por que o timing importa tanto quanto os valores

Clubes da Premier League negociam entre si o tempo todo. O que chama atenção aqui é a combinação de três fatores acontecendo ao mesmo tempo: valores elevados, sentido duplo dos negócios e pressão financeira nos dois lados.

Do ponto de vista contábil, uma venda grande e imediata permite que o clube reconheça aquela receita agora, no exercício atual. A compra, por outro lado, é amortizada ao longo dos anos de contrato do jogador adquirido. Isso significa que, em tese, um clube pode melhorar seus números de fair play financeiro no curto prazo vendendo caro e comprando parcelado, mesmo que o saldo real de caixa seja próximo de zero.

Quando dois clubes fazem isso entre si simultaneamente, a questão que qualquer regulador vai colocar é direta: esses negócios teriam acontecido, com esses valores, se os dois lados não estivessem se ajudando mutuamente a fechar as contas?

O que a UEFA pode fazer

A UEFA já endureceu as regras em torno de trocas de jogadores exatamente por isso. Transferências em sentidos opostos entre os mesmos clubes, num intervalo curto, estão entre as situações que o regulamento europeu permite examinar com mais atenção.

O ponto central é a avaliação de mercado. Se a UEFA concluir que os valores declarados não refletem o valor real de mercado dos jogadores, ela pode ajustar os números usados para calcular o fair play financeiro. Não é necessário provar que houve acordo explícito: basta demonstrar que os preços foram inflados de forma que beneficiou os dois clubes ao mesmo tempo.

As consequências possíveis vão além de uma multa. O regulamento europeu prevê restrições ao registro de jogadores, limitações em competições e, nos casos mais graves, exclusão de torneios. Para clubes que já passaram por processos de settlement com a UEFA, a tolerância tende a ser menor: um histórico de irregularidades pesa na avaliação de qualquer novo caso.

O que torna esse caso diferente do mercado normal

A defesa mais óbvia dos dois clubes seria dizer que cada negócio foi avaliado individualmente, que os jogadores têm valor de mercado compatível com o que foi pago, e que a coincidência de serem negócios entre os mesmos clubes não implica coordenação.

Essa defesa tem peso. Rogers a £117 milhões é um número alto, mas o mercado de pontas jovens da Premier League chegou a esse patamar. Jackson e Garnacho também têm mercado. O problema é que o argumento do valor individual fica mais difícil de sustentar quando o fluxo total entre os dois clubes é tão denso e tão rápido.

A UEFA não precisa de uma confissão. Ela precisa de um padrão. E o padrão aqui, com mais de £200 milhões circulando entre dois clubes que já tiveram problemas regulatórios, é exatamente o tipo de coisa que chama atenção de qualquer auditor.

O risco real

O risco concreto para Chelsea e Villa não é necessariamente uma punição imediata. É o que acontece se a UEFA decidir revisar os valores e ajustar os lucros reconhecidos em cada negócio. Se Rogers, por exemplo, for reavaliado como um ativo de £80 milhões em vez de £117 milhões, o Chelsea perde £37 milhões de receita reconhecida para fins de fair play. Multiplique esse raciocínio por vários negócios e os dois clubes podem descobrir que a contabilidade que parecia equilibrada afinal não estava.

Para clubes que já operam perto do limite, essa margem não existe.

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