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Pan2007 Brasil vs Ecuador futebol feminino feminino — Photo: Quintinense via Wikimedia Commons (CC0)

Photo: Quintinense via Wikimedia Commons (CC0)

O plano de Desailly e Thuram para travar o Fenômeno na final da Copa de 1998

Quando a França e o Brasil se encontraram na final da Copa do Mundo de 1998, no Stade de France, a zaga francesa tinha diante de si o problema mais difícil do futebol daquele momento: parar Ronaldo. Marcel Desailly e Lilian Thuram eram os dois defensores mais experientes do elenco de Aimé Jacquet, e o trabalho de contenção do Fenômeno caiu, em grande medida, nos ombros deles. O que aconteceu naquela noite é história conhecida, mas o raciocínio defensivo por trás dela merece ser entendido.

Redação Flagside·Publicado ·3 MIN DE LEITURA

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O problema que o Brasil colocava na mesa

O Brasil chegou à final de 1998 como favorito. Ronaldo era o melhor jogador do mundo naquele período, um atacante que combinava velocidade explosiva, controle de bola em espaços apertados e capacidade de decidir sozinho. Para qualquer zaga, ele representava um tipo específico de ameaça: não era um centroavante fixo que você pudesse marcar no corpo, nem um ponta que ficava no corredor. Ele aparecia em zonas diferentes, criava desequilíbrio com e sem bola, e tinha o instinto de perceber o momento exato para atacar a profundidade.

Desailly e Thuram formavam uma dupla de zagueiros com perfis complementares. Thuram era um lateral-direito convertido em zagueiro, com capacidade técnica e leitura de jogo apurada. Desailly era o pilar físico: forte, rápido para a posição e experiente em duelos diretos. Juntos, eles precisavam resolver o Ronaldo sem deixar o restante do ataque brasileiro, que incluía Rivaldo e Bebeto, com espaço para trabalhar.

A lógica da marcação coletiva

A abordagem francesa para aquela final não era de marcação individual pura. Jacquet construiu uma equipe que funcionava como bloco, com linhas compactas e transições rápidas para a fase defensiva. O princípio básico era não deixar o Ronaldo receber a bola em condições de girar e atacar o espaço.

Isso significava pressionar o portador da bola antes de o passe sair, reduzir os ângulos de entrega para o Fenômeno e garantir que, quando ele recebesse, houvesse sempre cobertura imediata por trás do marcador direto. Desailly tinha a função de ser esse seguro: o zagueiro que não entrava no duelo direto sem ter um companheiro posicionado para cobrir o espaço que ficaria aberto.

Thuram, pelo lado direito, tinha a tarefa adicional de não se adiantar em demasia nas subidas ao ataque, justamente para não deixar a zaga exposta a contra-ataques rápidos, que eram uma das armas do Brasil.

O que aconteceu em campo

A final tomou um rumo que ninguém esperava. Ronaldo entrou em campo em condições físicas e emocionais que claramente não eram as normais, e o Brasil nunca funcionou como time naquela noite. A França venceu com autoridade, com Zinedine Zidane marcando duas vezes de cabeça ainda no primeiro tempo.

Desailly foi expulso na segunda etapa, reduzindo a França a dez homens, mas a França já tinha vantagem no placar quando isso aconteceu. A zaga francesa não precisou ser testada ao limite porque o Ronaldo que apareceu naquela final não era o Ronaldo que tinha assustado o mundo ao longo do torneio.

Isso não invalida o planejamento defensivo. Um plano de jogo não é avaliado apenas pelo adversário que aparece, mas pela solidez do raciocínio por trás dele. A França de 1998 era uma equipe construída para não ser batida por individualidades, e esse princípio funcionou ao longo de todo o torneio.

O que aquela zaga representa no futebol

Desailly e Thuram fazem parte de uma geração de defensores franceses que redefiniu o que uma zaga podia ser: técnica, inteligente, capaz de jogar com bola e não apenas destruir. Aquela Copa foi o palco em que esse modelo se consolidou.

O plano para parar Ronaldo era, no fundo, o plano para parar qualquer craque de alto nível: tirar o espaço, manter o bloco, não se expor individualmente e confiar na cobertura coletiva. Simples na teoria. Difícil de executar contra o melhor atacante do planeta. Naquela final, a França não precisou executá-lo até o limite, mas estava preparada para isso.

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Quando a França e o Brasil se encontraram na final da Copa do Mundo de 1998, no Stade de France, a zaga francesa tinha diante de si o problema mais difícil do futebol daquele momento: parar Ronaldo.

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