
Por que o United apodrece de cima para baixo
O Manchester United troca de técnico, de sistema e de craque da vez há mais de uma década e o resultado é sempre o mesmo. A explicação não está no campo: está na estrutura acima dele, que segue tomando decisões erradas desde que Sir Alex Ferguson saiu.
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O time é só o sintoma
Quando um clube troca de técnico seis, sete vezes em pouco mais de dez anos e continua sem repetir o nível que tinha antes, o problema deixou de ser tático. Moyes, van Gaal, Mourinho, Solskjaer, Rangnick, ten Hag: nomes diferentes, discursos diferentes, o mesmo final de temporada frustrante. Isso é o retrato clássico de uma disfunção que vem de cima: contratações que não respondem a um projeto único, porque não existe um projeto único, só uma sucessão de apostas de curto prazo para acalmar a torcida.
A herança da dívida
A chegada dos Glazer em 2005 não foi uma compra qualquer: foi uma aquisição alavancada, financiada com dívida colocada nas costas do próprio clube. Isso significa que, por anos, parte do dinheiro que entrava em Old Trafford saía para pagar juros, não para reforçar elenco ou modernizar estrutura. Um clube pode sobreviver a isso enquanto o time em campo compensa com resultados. O United deixou de compensar há muito tempo, e a dívida continuou lá, intocada pelo desempenho esportivo.
Gastar muito e comprar errado
O United não é um clube que poupou. Pelo contrário: está entre os que mais gastaram no mundo desde a saída de Ferguson. O problema nunca foi falta de dinheiro, foi a ausência de uma visão coerente sobre o que comprar e por quê. Reforços chegaram para resolver o problema do técnico da vez, não para construir um time. Quando o técnico saía, o jogador ficava, muitas vezes deslocado de qualquer sistema, e o próximo treinador herdava um elenco desenhado por outra pessoa, com outra ideia de futebol.
Tensão entre elenco e diretoria
Nos bastidores de Old Trafford, relatos de atrito entre jogadores e cúpula do clube não são novidade nos últimos anos: cobranças por reforços, insatisfação com o planejamento de mercado e a sensação, dentro do vestiário, de que as decisões de cima nunca acompanham o discurso. Esse tipo de tensão normalmente fica restrito a reuniões internas e conversas de bastidor, mas o fato de ela existir, e se repetir temporada após temporada, já diz muito sobre o nível de confiança entre quem joga e quem manda no clube.
A entrada do INEOS não resolveu tudo
A chegada de uma nova gestão esportiva, com Sir Jim Ratcliffe assumindo parte do controle das decisões de futebol, foi vendida como o início de uma reconstrução séria, com promessas de corte de custos e profissionalização da máquina esportiva. Mas uma mudança de organograma não apaga de um dia para o outro uma cultura de decisões apressadas que já dura mais de dez anos. Trocar quem assina o cheque não resolve o problema se o processo de decisão por trás continuar o mesmo.
Por que isso é mais grave que uma má temporada
Clubes grandes passam por fases ruins, isso é normal no futebol europeu. O que diferencia o caso United é a duração e a origem do problema. Não é uma geração de jogadores que decepcionou, são várias gerações diferentes, sob técnicos diferentes, com reforços diferentes, produzindo o mesmo tipo de frustração. Isso só acontece quando o erro está acima do elenco: na forma como o clube é administrado, como contrata, como define prioridades e como lida com a pressão de resultados imediatos. Enquanto a estrutura de decisão no topo não for corrigida, qualquer técnico novo, por melhor que seja, está apenas gerenciando os sintomas de uma doença que já infectou o clube inteiro.
O United consegue se recuperar com a estrutura atual do INEOS?
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