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Sir Alex gastou pouco e formou muito: os números provam

Sir Alex Ferguson passou 27 anos no comando do Manchester United e disputou 39 janelas de transferências. Em apenas três delas foi o clube que mais gastou. O resto da história, ele resolveu formando craque em casa.

Redação Flagside·Publicado ·2 MIN DE LEITURA

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O mito do United como máquina de gastar

Quem cresceu vendo o United dos anos 2000 comprando Rooney, Ferdinand e Ronaldo por valores pesados pode até imaginar Ferguson como um escocês com cartão sem limite. Os números contam outra história. Em 39 janelas de mercado ao longo de 27 anos no clube, Ferguson só foi o maior gastador em três delas. É quase nenhum gasto relativo, considerando que ele construiu um dos impérios mais dominantes do futebol inglês.

A base como motor, não como plano B

O retrato fica mais claro quando se olha para o time que ganhou a tríplice coroa em 1999, Premier League, FA Cup e Liga dos Campeões na mesma temporada. Nove jogadores daquele elenco vieram da base do United. Beckham, Scholes, os irmãos Neville, Giggs: a chamada 'Classe de 92' não foi um golpe de sorte isolado, foi a prova de um método.

E o detalhe que resume tudo: em cada uma das cerca de 1.500 partidas que Ferguson comandou pelo United ao longo de quase três décadas, ele escalou pelo menos um jogador formado nas categorias de base do clube. Não houve uma única escalação, em 27 anos, sem um produto da fábrica de Carrington em campo. Isso mostra prioridade, não coincidência.

Antes do United, a mesma receita em Aberdeen

O padrão não nasceu em Manchester. Antes de chegar ao United, Ferguson comandou o Aberdeen e fez a escócia inteira prestar atenção: três títulos de liga e uma Copa dos Campeões Europeus (hoje Champions League), tudo isso sendo apenas o sexto clube que mais gastava no futebol escocês entre 1978 e 1986. Ou seja, o modelo de vencer sem ser o mais rico já estava testado e aprovado muito antes de ele pisar em Old Trafford.

Por que isso importa na comparação com Guardiola

É comum ver comparações entre Ferguson e Pep Guardiola como se fossem equivalentes por conta das taças. O problema é que os contextos de construção de elenco são diferentes. Guardiola sempre trabalhou com orçamentos entre os mais altos do continente, seja no Barcelona, no Bayern de Munique ou no Manchester City. Ferguson, na maior parte da carreira, venceu apesar do mercado, não por causa dele. Isso não diminui o trabalho tático de Guardiola, mas explica por que colocar os dois lado a lado como se fossem a mesma espécie de treinador é simplificar demais uma diferença que é estrutural.

O verdadeiro talento de Ferguson

O que os números das janelas de transferência escancaram é que a genialidade de Ferguson não estava em identificar o jogador certo no mercado, embora ele também soubesse fazer isso quando precisava. Estava em montar uma estrutura capaz de produzir talento de forma contínua e, principalmente, em ter a coragem de colocar esse talento em campo mesmo quando a pressão por resultados imediatos pedia uma solução comprada. Em 27 anos e 39 janelas, ele resistiu a essa tentação em 36 delas.

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Sir Alex Ferguson passou 27 anos no comando do Manchester United e disputou 39 janelas de transferências. Em apenas três delas foi o clube que mais gastou. O resto da história, ele resolveu formando craque em casa.

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